Uma obra inacabada do governo do estado de Goiás, localizada em Santo Antônio do Descoberto, está abandonada há anos, causando grande insatisfação na população local. Os moradores questionam qual será o destino da construção, que poderia beneficiar milhares de pessoas na região.
Recentemente, o deputado federal José Nelto esteve no local acompanhado da prefeita Jéssica do Premium, com a intenção de fiscalizar a situação da obra. No entanto, ambos foram impedidos de entrar no local, o que gerou ainda mais polêmica, já que representantes do povo têm o direito e o dever de fiscalizar os investimentos públicos.
A construção teve início durante a administração de Moacir Machado (PSDB) na prefeitura de SAD, mas foi paralisada cinco anos depois devido à falta de pagamento. Desde então, o local ficou abandonado por quase oito anos. Em 2014, a responsabilidade da obra passou para o governo do estado, durante o mandato de Marconi Perillo (PSDB), mas mesmo assim, nada foi feito para concluí-la.
O edifício tem uma área de 6.600 m² e, se estivesse em funcionamento, poderia atender até 800 mil pessoas de seis cidades da região. A unidade foi projetada para contar com cerca de 100 leitos, banco de leite, hemocentro, além de equipamentos para exames e cirurgias complexas, o que tornaria o local um importante centro de saúde para a população.
Em entrevista exclusiva, o deputado José Nelto expressou sua preocupação com a situação da obra e destacou a necessidade de uma solução rápida para evitar ainda mais prejuízos. (Confira a entrevista na integra a seguir)

Sobre a situação da obra
Deputado, o senhor esteve recentemente no local onde deveria estar sendo construído o hospital municipal, mas foi impedido de entrar. O que aconteceu exatamente nesse episódio?
Foi um episódio triste e lamentável. Qualquer obra pública, seja municipal, estadual ou federal, pode e deve ser fiscalizada pelos parlamentares, mas fomos impedidos de entrar pela segurança do local. A empresa responsável não autorizou, e o secretário estadual de saúde também não permitiu nossa entrada. Isso é um caso grave e inaceitável.
Nosso objetivo era verificar a situação do local, já que essa construção se transformou praticamente em um “museu”, completamente abandonado. Fomos até o promotor para relatar a realidade da obra e demonstrar que o Governo do Estado de Goiás não tem interesse em sua continuidade. O Governo Federal também não sinalizou qualquer intenção de retomá-la, e a prefeitura, infelizmente, não tem condições de colocar um hospital desse porte em funcionamento. Diante desse impasse, fui até lá junto com a prefeita para buscarmos uma solução viável.
Qual foi sua impressão ao ver o estado atual do prédio? Há quanto tempo essa obra está parada?
Essa obra está parada há mais de 12 anos. A população cobra uma solução, e com razão. Apresentamos uma proposta tanto à prefeita quanto ao deputado André do Premium: a retomada do terreno pela prefeitura. Para isso, a prefeita precisa enviar um projeto de lei à Câmara Municipal cancelando o ato de doação do terreno. Se aprovado e sancionado, esse será o primeiro passo para dar um destino adequado à construção.
Sabemos que o Governo do Estado não tem interesse nessa obra, então, na minha visão, a melhor alternativa é que a prefeitura retome o terreno e encontre uma destinação correta para ele.
O senhor tem informações sobre os valores investidos até agora nessa construção e o motivo da paralisação?
Não tenho dados exatos sobre os valores já investidos, mas estimo que, no mínimo, cerca de R$ 30 milhões já tenham sido gastos nessa obra – dinheiro que, infelizmente, foi desperdiçado.
Além disso, a prefeitura de Santo Antônio do Descoberto não tem condições financeiras para investir naquele prédio. Hoje, o município enfrenta dificuldades até para a manutenção básica, como o recapeamento das ruas, então é inviável arcar com os altos custos de um hospital desse porte. Essa é a realidade de muitas prefeituras no Brasil.
Possíveis soluções para o prédio
Na sua visão, qual seria a melhor alternativa para dar um destino adequado a esse prédio inacabado?
Acredito que a melhor alternativa seja levar essa área a leilão e atrair investidores que possam transformar o espaço em um hospital privado, uma universidade, um centro de laboratórios ou outro empreendimento que beneficie a população.
Precisamos de um empresário que enxergue essa obra como um investimento viável para a cidade e para a região do Entorno. Com a venda do prédio, a prefeitura poderia utilizar os recursos arrecadados para construir um hospital menor, de aproximadamente 60 leitos, que atenderia melhor às necessidades do município.
Como deputado federal, quais medidas o senhor pretende tomar para que esse prédio não continue abandonado?
Esse é um caso que exige ação política e diálogo. Precisamos conversar com o governador Ronaldo Caiado para entender se o Estado tem algum interesse nessa obra. Se não houver, o governo deve devolvê-la à prefeitura, que então poderia encaminhá-la para leilão e dar um destino adequado ao imóvel.
Todos gostaríamos que aquele hospital estivesse funcionando, mas, infelizmente, ele se tornou um projeto inviável. A realidade financeira e estrutural mudou muito desde o início da obra, e não há condições de concluir a construção como planejado originalmente.
O senhor já entrou em contato com o governo estadual ou federal para buscar soluções?
Sim, já conversei com o governador e com o vice-governador, e ambos deixaram claro que o Estado não tem interesse na obra. Mesmo que houvesse interesse, os desafios técnicos e financeiros são enormes. A estrutura do prédio está ultrapassada e exigiria uma reforma completa, com custos muito acima do que seria viável hoje.
Além disso, já existe um hospital regional em Águas Lindas, que atende a população do Entorno. Construir outro hospital ao lado desse não seria uma decisão lógica, especialmente considerando o momento de restrição orçamentária que vivemos.
Diante dessa situação, o governo precisa tomar uma decisão definitiva e permitir que a prefeitura assuma a obra para dar um destino correto ao prédio. Esse é um desafio político, mas que precisa ser resolvido o quanto antes, porque a população cobra e tem razão em exigir uma solução.
Como a população pode ajudar a pressionar para que esse problema seja resolvido?
A população tem um papel fundamental nessa questão. Os cidadãos devem comparecer à Câmara Municipal, cobrar os vereadores e exigir uma solução para essa obra. É essencial que a sociedade se mobilize e pressione o poder público para que um projeto seja elaborado e executado.
Agora é o momento de unir forças, independentemente de bandeiras partidárias ou ideológicas. O foco deve ser resolver o problema e garantir que os recursos desse terreno sejam revertidos em benefícios para a população. Essa área tem um grande valor e não pode continuar abandonada. Se bem administrada, pode gerar investimentos importantes e, principalmente, garantir melhorias para a saúde do município.
O silencio da Prefeitura
O jornalismo da Gazeta de Sad entrou em contato com a prefeitura de Santo Antônio do Descoberto (GO) para comentar sobre o assunto e perguntou se já teria sido elaborado um projeto para a retomada da obra, mas a administração preferiu o silêncio.
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