Um jovem de 21 anos foi baleado na noite de segunda-feira 05.jan.2026) nas proximidades de um shopping em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, e permanece internado em estado grave. O episódio ocorreu pouco depois de ele e amigos deixarem uma sessão de cinema no centro comercial.
Testemunhas relataram que o grupo estava no estacionamento do shopping quando se preparava para buscar um carro no qual haviam chegado. Nesse momento, um veículo modelo sedan se aproximou com dois ocupantes que, segundo relatos, não estavam identificados como agentes de segurança e não utilizavam nenhuma forma visível de farda ou viatura policial.
De acordo com as versões colhidas, os ocupantes do outro veículo teriam ordenado que o grupo parasse. Ao destravar o carro para iniciar a movimentação, o condutor avançou brevemente, o que teria sido interpretado pelos homens como recusa à abordagem. Pouco depois, tiros foram disparados contra o veículo em que estava a vítima, atingindo o jovem em pelo menos duas ocasiões.
Abordagem e sequência dos fatos
Após os disparos, os ocupantes do carro tentaram se afastar do local e retornar ao interior do estacionamento do shopping em busca de proteção. Testemunhas afirmam que os mesmos homens reapareceram instantes depois, ainda sem identificação clara, e reiteraram que eram policiais militares, ordenando silêncio aos presentes.
Diante da gravidade da situação, colegas da vítima optaram por levá-la imediatamente ao atendimento médico. A primeira parada foi em uma unidade de saúde de Valparaíso, mas devido à gravidade dos ferimentos o jovem foi transferido para um hospital de maior porte em Brasília, onde segue internado em estado crítico.
Versões divergentes e investigação
Familiares e amigos da vítima afirmam que os disparos partiram de policiais que estariam à paisana, sem apresentação clara de identificação no momento da abordagem. Já a versão oficial preliminar da Polícia Militar de Goiás afirma que os agentes deram ordens de parada e desembarque após identificarem atitudes consideradas suspeitas por perto de uma área com histórico de furtos de veículos, e que essas ordens não teriam sido acatadas. De acordo com a corporação, o condutor teria avançado em direção aos policiais, gerando risco iminente que teria motivado o uso da arma de fogo pelos agentes.
A Polícia Civil do Estado de Goiás abriu inquérito para apurar as circunstâncias do ocorrido, incluindo a dinâmica da abordagem, o uso da força e a identificação de todas as partes envolvidas. Autoridades ainda não divulgaram oficialmente quantos tiros foram disparados ou se existem imagens de câmeras nas proximidades que possam esclarecer a sequência exata dos fatos.
Reações e repercussão
Moradores e frequentadores do shopping demonstraram preocupação com a situação e ressaltaram o impacto do episódio no sentimento de segurança da região. Para especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem, episódios de abordagem policial sem identificação clara podem gerar pânico e mal-entendidos que resultam em consequências graves.
Representantes de entidades de direitos humanos destacam a importância de que abordagens policiais sigam procedimentos rigorosos de identificação e comunicação, sobretudo em espaços públicos e privados de grande circulação. A expectativa é que as investigações sejam concluídas em breve para que a Justiça esclareça responsabilidades e possíveis excessos.
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