Valparaíso de Goiás (GO) — O município voltou a figurar entre os que mais registraram empresas no estado de Goiás em 2025, consolidando uma posição de destaque ao alcançar cerca de 4.963 novos registros de CNPJ no ano — números que o colocam entre as cinco cidades com maior volume de empreendimentos formalizados.
Apesar do desempenho apontado em levantamentos oficiais, a trajetória de crescimento econômico no município também tem gerado debate e críticas dentro da comunidade empresarial e entre especialistas em desenvolvimento local. O ponto mais controverso é a cobrança de taxas e exigências municipais para a abertura de empresa, prática que contrasta com políticas de estímulo adotadas em outras localidades próximas.
Destaque no ranking, mas com custo adicional
Dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) mostram que Valparaíso de Goiás ocupou a quinta posição no ranking estadual de abertura de empresas em 2025, ficando atrás apenas de grandes centros como Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis. O município registrou quase 5 mil novos negócios formais ao longo do ano, impulsionando o crescimento econômico da região.
O desempenho é relativamente forte quando comparado com cidades vizinhas do Entorno do Distrito Federal, como Luziânia, que registrou aproximadamente 4.300 novas empresas no mesmo período.
Ambiente de negócios questionado
Apesar dos números positivos, empreendedores locais relatam dificuldades específicas no processo de formalização em Valparaíso de Goiás. Ao contrário de várias cidades da região — onde a abertura de empresas tem sido estimulada por meio de isenções, simplificação de taxas e processos digitais integrados — Valparaíso mantém cobranças que, segundo empresários, podem representar um obstáculo para pequenos negócios.
Empresários ouvidos pela reportagem afirmam que, mesmo com a digitalização de parte do serviço de abertura de empresas, a exigência de pagamento de determinadas taxas municipais e a necessidade de trâmites presenciais adicionais se tornam um entrave, especialmente para quem investe em micro e pequenas empresas. A crítica é de que tais custos e etapas extras tendem a desestimular quem busca empreender, em especial quem está tirando o primeiro negócio do papel.
Fontes do setor empresarial local destacam ainda que outras cidades vizinhas do Entorno têm adotado políticas mais atrativas, como a redução ou isenção de tributos na formalização e programas de incentivo por meio de parcerias público-privadas, o que não tem sido visto com a mesma ênfase em Valparaíso.
Debate sobre competitividade regional
Especialistas em economia e desenvolvimento local consultados ressaltam que o ambiente de negócios de um município não pode ser medido apenas por rankings de abertura de empresas. “Os números expressam dinamismo, mas é preciso olhar para qualidade do ambiente regulatório. Custos elevados no processo de abertura e na manutenção de uma empresa podem gerar barreiras que não aparecem imediatamente nos rankings, mas impactam no longo prazo”, afirma um economista sobre o tema.
Segundo dados compilados pelo governo estadual, todo o estado de Goiás registrou mais de 178 mil novas empresas no ano de 2025, refletindo um cenário amplo de crescimento econômico. Valparaíso, com cerca de 5 mil registros, contribuiu de forma relevante para esse total.
Caminho entre elogios e desafios
A posição de Valparaíso de Goiás no ranking de criação de empresas é frequentemente utilizada por autoridades municipais como indicativo de um ambiente econômico promissor. No entanto, empreendedores e observadores do ambiente empresarial local destacam que números isolados não revelam as dificuldades enfrentadas por quem abre um negócio no município, especialmente frente à concorrência de cidades com regimes mais flexíveis de taxação e incentivos.
A discussão em torno de políticas públicas voltadas ao estímulo de negócios fomenta um debate mais amplo: até que ponto a cobrança de taxas para abertura de empresa em Valparaíso de Goiás está alinhada com as melhores práticas para atrair investimento e sustentar o crescimento econômico local?
A resposta a essa pergunta pode moldar não apenas o próximo ranking de aberturas de empresa, mas o próprio futuro do empreendedorismo na cidade.
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